Quando a vida engasga.
Desses sufocos prosaicos que mais lembram filmes de famílias italianas. Enquanto engasgava, vi D. Hida, minha mãe, levantar aos gritos e correr para bem longe. Pânico, eu diria, afinal tratava-se do filho predileto (que meus irmãos não leiam esse trecho) em apuros bem ali, debaixo do seu nariz. Em meio à confusão que se instalou naqueles segundos comecei a refletir sobre a brevidade da vida. Sim, naquela confusão toda eu refleti. Falsa crença essa de supor que temos controle sobre a vida, sobre as coisas ou sobre as pessoas. Tudo pode mudar numa fração de segundo. E isso é tão óbvio... mas às vezes é o óbvio que nos salva. Muros, máscaras, conceitos. Tudo pode cair. O dia planejado, a viagem dos sonhos, o amor ideal – nada resiste ao apagar a luz da vida. Amanhã, só saudades. E na vida quantas vezes somos obrigados a nos engasgar por conveniência, educação, respeito, timidez ou falta de autoridade? Quantas culpas são atribuídas a nós, sem ao menos sermos responsáveis. E silenciamos...