Não - Notícias


Hoje, resolvi escrever hoje sobre não-notícias. Nesses tempos em que temos mais ministros do STF no Facebook do que em Brasília, mais especialistas em Oriente Médio do que no restante do mundo, resolvi transformar em texto o que está dentro de mim.
Algumas histórias vivas e outras que gostaria de apagar.Sábado passado na estréia do espetáculo As Vizinhas (que tenho o prazer de assinar texto e direção), durante umas das cenas a Personagem Maria Franscisca pergunta:
- “Vocês ouviram ou não ouviram o grito essa noite?”
E para surpresa de todos na pláteia, incluindo a atriz, uma criança respondeu :
– “Eu ouvi”. E o teatro veio abaixo aos risos.
Esse instinto puro me paralisou e me contagiou. Adultos rindo da inocência e espontaneidade de uma criança com ouvido atento e aberto a dizer a verdade. Sim, ela ouviu o grito, oras!Ainda me pergunto por que nos tornamos adultos chatos. Ou por que nos cercamos de adultos chatos. Não sabemos rir de nossas dificuldades. Exigimo-nos perfeição. Obrigamo-nos a sermos fortes todo o tempo.Sejamos honestos com as nossas dificuldades. Há quem prefira a cara fechada ao riso espontâneo. E é a insegurança e a vergonha que criam essa preferência.Que se danem o outros! Gente chata é que quer controlar tudo. A beleza da vida está na diversão. Ter espírito leve exige soltar as correntes do auto-jugamento. Do controle mental. Gostoso é o não-domínio. Curtir a jornada é mais espetacular do que a chegada.  Até porque não sabemos quando a jornada acaba.
Então que o hoje seja nossa prioridade. Vivamos hoje com doçura e a felicidade de uma criança.Enquanto escrevo este texto que mais me lembra a lição de casa da escola, como um pedaço e mais outro de chocolate, ouvindo o programa do Chaves.

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