Ser e Estar
Estar ou não estar, eis a questão...
Parafraseando o maior dos autores. Tenho para mim que o estado das coisas
sempre muda. Eis uma verdade. E essa verdade não me parece invalidar as demais.
Um idoso pode ser jovem e ter muita disposição. Sim, isso é uma verdade, a
depender dos olhos do observador e do sentir da própria pessoa observada. E, a
despeito da visão que outras pessoas venham a ter sobre ela.
Uma amiga, com altos pendores para as
artes, na juventude experimentou a arte de atuar, atualmente me acompanha na
atividade do espetáculo teatral da nossa companhia. Na lida com
ela, notei uma desconfiança na própria capacidade como como atriz. Alma
inquieta, a minha. Agi de forma provocativa com ela. Meu objetivo claro era o
de trazê-la para a realidade e a realidade, era a correta percepção de sua
própria capacidade. E essa capacidade estava bem além de sua própria crença.
O resultado foi muito positivo. Essa
pessoa tão querida correspondeu. A danada deu conta direitinho do trabalho.
Após a estréia, que foi um sucesso, ainda noto que ela tenta esconder essa
outra face, a da artsita. Timizidez total para convidar amigos de trabalho,
conhecidos da vida para vê-la nos palcos, já que ninguém, até então, conhecia
seus dotes de atriz. Se as pessoas soubessem como é bom estar e não ser. Ser é
chato. É um rótulo. É um produto. Lhe enquadra num grupo do qual você, mesmo
sufocado, precisa estar e atender as expectativas já compreendidas dentro
daquele padrão estabelecido. Como se a vida tivesse uma nota só. Se não tá na
globo, não é artista. Ser médico é diferente de estar médico. Ninguém é nada 24
horas por dia. O estar é libertador. A vida fica mais colorida e com mais
possibilidades. Pela manhã estou publicitário. à tarde, me arrisco como blogueiro.
Mas antes, fiz o rascunho das novas telas que pretendo pincelar. À noite, tenho
leitura do meu novo texto para teatro que além de ser o autor, vou atuar e
produzir. Me arrisco todos os dias no estar, porque saco pra ser não tenho. Pra
falar a verdade, desde criança que tenho medo de crescer sem ter vivido os
diferentes eus que habita em mim.

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